Pular para o conteúdo
Academia do Bolso
Educação Financeira

Juros do rotativo do cartão chegam a 442% ao ano — mas sua dívida tem um teto que a lei garante

albrafael
Juros do rotativo do cartão chegam a 442% ao ano — mas sua dívida tem um teto que a lei garante

O rotativo do cartão de crédito chegou a 442,44% ao ano em junho de 2026 — o dado mais recente divulgado pelo Banco Central. Parece um número feito pra assustar, mas existe uma regra em vigor desde 2024 que impede sua dívida de crescer pra sempre: por lei, os juros e encargos não podem passar de 100% do valor original que você deixou de pagar.

Rotativo x parcelado: dois jeitos diferentes de “não pagar tudo”

Quando você paga só uma parte da fatura (ou o mínimo), o saldo que sobra vai pro rotativo — a linha de crédito mais cara que existe no sistema financeiro brasileiro. Muitos bancos empurram automaticamente esse saldo pro parcelamento da fatura depois de alguns dias, que também tem juros altos, mas bem menores: 191,42% ao ano em junho de 2026, também segundo o Banco Central. Na prática, ficar no rotativo por mais de um ciclo de fatura quase sempre significa pagar mais caro do que precisava.

A trava de 100%: como funciona na prática

Desde 3 de janeiro de 2024, vale a regra criada pela Lei 14.690/2023 e regulamentada pela Resolução CMN 5.112/2023: os juros e encargos cobrados no rotativo e no parcelamento da fatura não podem, somados, ultrapassar 100% do valor original da dívida. Ou seja — se você ficou devendo R$ 1.000 e não pagou nada, o banco pode cobrar no máximo mais R$ 1.000 de juros e encargos em cima disso. Sua dívida pode dobrar, mas não pode mais virar uma bola de neve sem fim como acontecia antes da lei.

Dois detalhes importantes que a maioria dos resumos por aí não deixa claro:

  • A trava vale por dívida, contada a partir do momento em que ela entrou no rotativo — não é um teto único pra vida toda do seu cartão.
  • Ela só se aplica a dívidas contraídas a partir de 3 de janeiro de 2024. Se você carrega um saldo rotativo de antes dessa data, ele segue as regras (e os juros) antigos.

O que isso muda na hora de decidir o que fazer

Saber que existe um teto não é motivo pra relaxar — mesmo limitada a dobrar, uma dívida no rotativo ainda é a forma mais cara de crédito que você provavelmente tem acesso. O ponto prático é outro: se você está calculando “até onde isso pode crescer” pra decidir entre quitar agora, negociar ou usar uma reserva, fizemos uma calculadora que já faz essa conta por você, com a taxa oficial de hoje e o teto legal marcado no gráfico. Pra quem já está nessa situação e quer o passo a passo de como sair, vale complementar com nosso guia de como sair das dívidas do cartão de crédito — lá o foco é o comportamento e a negociação; aqui, o foco é entender exatamente o que a lei permite o banco cobrar.

Se o problema for recorrente — não uma dívida pontual, mas o cartão estourando todo mês —, o primeiro ajuste costuma estar no orçamento, não na dívida em si. Nosso guia de orçamento pessoal em 30 minutos por mês é o ponto de partida mais direto pra isso.

Juros do rotativo do cartão chegam a 442% ao ano — mas sua dívida tem um teto que a lei garante | Academia do Bolso